Magdala (...uma história de amor)
Naquele momento ele pouco se importou do passado daquela mulher. Quem ela era, e o porquê dela estar ali eram meros detalhes que quase nada importavam. Importava sim, o imensurável prazer que era vê-la, de longos cabelos castanhos, de olhos de brilho lagrimejante, humildemente ajoelhada diante dele banhando-lhe os pés. E ao fazê-lo, ela transbordando de paixão incontida, deixava que escapassem as lágrimas que rolavam por seu delicado rosto precipitando-se sobre seu membro de adoração. Num ato de tamanha entrega, que os dois, encasulados, fecharam-se em uma atmosfera própria, ignorando a presença de todos que estavam ali à mesa. E neste delírio retirado, ela estendeu as carícias secando-lhe os pés com fios mais macios que a mais macia seda: seus próprios cabelos. E, devotadamente entregando-se a vocação maior da mulher de se dar, cobrindo-o de beijos venerando-o como um mestre. E untou com perfumado bálsamo curativo, carinhosa, e dedicadamente, massageando com a perícia terapêutica da mais antiga cultura oriental, explorando cada centímetro, estimulando assim todo o corpo daquele homem que ela tanto adorava. Despertando mutuamente na mais completa cumplicidade, o mais puro desejo da natureza animal. Causando nele o enrijecer vigoroso sob as vestes ao que simultaneamente nela o minar de sua gruta contraindo em espasmos líquidos.
Ah, mas a ele nada importava quantas vezes ela se postou de joelhos diante de outros, ou quantos foram os homens a quem ela serviu de prazer. Não importava o que todos ali achavam, falavam ou insinuavam sobre o que ela já havia feito com sua vida. Importava sim, a candura do olhar, a sinceridade daquele gesto submisso e desinteressado, a beleza de seu acolhedor colo feminino arfando de emoção e o enaltecer da alma que sentia com as carícias despertando nele o animal homem como nunca ocorrera antes com tanta intensidade.
A partir daí que para a indignação e incompreensão de todos com quem conviviam começaram a serem vistos em concubinato publicamente trocando escandalosos beijos na boca.
E foi a partir daquele momento que decidiram se entregar as mais sacras fodas que a humanidade pode conhecer.
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